Epicteto, quando foi libertado como escravo, foi exilado, tornando-se professor de estoicismo. Entre seus ensinamentos, está o estado de restituição: aceitação das coisas como elas são, sem sofrimento, deixando a ordem natural da vida seguir seu curso.
Quando você nasceu, não tinha nada; em diferentes fases da vida, passou a ter coisas, objetos e experiências. Se você perder alguma delas, não perdeu nada; simplesmente voltou ao estado de não ter, ou seja, apenas retornou ao estado de onde veio. Foi restituído.
“Jamais, a respeito de coisa alguma, digas: Eu a perdi, mas sim: Eu a restitui.”
Este exercício estóico é trata de compreender que tudo o que você possuí — riquezas, honras, pessoas que ama — pode ser tomados de você a qualquer momento. A visão de um estóico é de sempre vê-las como empréstimos, pois um empréstimo precisa ser devolvido ao seu verdadeiro dono algum dia.
Restituição é sobre imaginar como seria se perderemos quem amamos: pai, mãe, irmãos… objeto: carro, roupa […] Segundo esse exercício nada é nosso e só estamos de passagem e, se esse fato acontecer não perdemos nada, já que nada é realmente nosso, a não ser nosso corpo, até nosso corpo será restituído.
Se perder seu filho, você não perdeu, foi restituído. Marco Aurélio perdeu 6 de seus 13 filhos e mesmo assim em suas meditações (livro 1) ele agradeceu pela família que tinha. Essa deve ser a parte mais difícil de se admitir nos ensinamentos estóicos.
Em suma; devemos nos acostumar a ideia de que nós iremos perder todas as coisas que pensamos ter “propriedade”, inclusive aquelas que amamos. Esse exercício é feito para praticar o desapego de tudo que o não possui um valor superior, é um meio de alcançar a liberdade inteiror.


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