Mulheres Estoicas: Pórcia Catonis, Fânia e Ania Cornifícia Faustina

Porcia

Na história do estoicismo três mulheres se destacaram e foram consideradas estóicas, a Porcia, Fania e a filha do imperador Marco Aurélio, Ania, nesse artigo vou apresentar o que se sabe sobre elas.

Antes de falar sobre as mulheres estóicas, vou apresentar Musônio Rufo (20 ou 30 d.c a 100d.c) o professor de estoicismo de Epicteto, ele é uma referência por defender a igualdade na educação filosófica de homens e mulheres e por rejeitar esse padrão duplo de entendimento. As citações abaixo foram preservadas por seus alunos de duas palestras dele.

Mulheres também deve estudar filosofia (Diatribe III)

Musônio afirma que as mulheres receberam dos deuses o mesmo raciocínio dos homens.

“Sendo assim, por que seria apropriado que os homens, mas não as mulheres, procurassem viver honrosamente e considerassem como fazê-lo, que é o que é estudar filosofia? É apropriado que os homens sejam bons, mas não as mulheres? Consideremos também, um por um, cada um dos atributos que são apropriados para uma mulher que seria boa, pois será evidente que cada um deles viria a ela mais facilmente da filosofia.”

– Musônio Rufo

Rufo fala ainda que a filósofa mulher seria justa, autocontrolada, livre da ganância e do
apego, que seria uma boa parceira, colega de trabalho e mãe.

“Uma mulher que estuda filosofia não seria justa? (…) Que mulher seria mais justa do que uma mulher como esta?”

– Musônio Rufo

As filhas devem receber a mesma educação que os filhos? (Diatribe IV)

Rufo argumenta que não existem dois tipos de virtude para o homem e outro para mulher, o que prevalece é o bom senso.

“Por que aprender essas coisas convém mais a um homem do que a uma mulher? Por Zeus, se convém que as mulheres sejam justas, é necessário que homens e mulheres tenham aprendido essas mesmas supremas e importantes coisas. Se alguém me perguntar que conhecimento orienta essa educação, eu lhe direi que, assim como nenhum homem seria educado adequadamente sem filosofia, nenhuma mulher também o seria.”

– Musônio Rufo


Pórcia Catonis, 70 a.c a 42 a.c

Porcia era filha de Catão, o jovem, os textos relatam que era devota a filosofia e seguindo os passos do seu pai.

Pouco se sabe sobre ela, ela se casou com Marco Junio Brutus.

Quando desconfiou que seu marido não contou sobre todos os seus segredos

Pórcia pegou uma faca de corta unhas e abriu um grande buraco na coxa, para provar a ele e a si mesma que suportaria a dor e as consequências que viriam depois.

Logo depois contou o plano para assassinar Júlio César. Quando soube da morte de Brutus, se suicidou.

Fânia 

Fânia integrava a “oposição estóica” ao imperador Nero, sob liderança do seu pai, o herói político, o estoico Trásea, em conjunto com seu marido, Helvídio Prisco.

Fânia, foi descrita por Plínio, o Jovem,
como uma mulher dotada de fortaleza e respeitabilidade, apesar disso era uma rebelde política.

Ela acompanhou o marido no exílio por duas vezes.

A primeira quando Helvídio Prisco foi banido por Nero em virtude de sua simpatia pelos heróis republicanos Bruto e Cássio (que foram proibidos pelo imperador).

A segunda vez sob comando de Vespasiano, por se oporem a seu governo. Prisco foi posteriormente executado por este mesmo imperador.

Fânia foi condenada ao exílio por Domiciano por solicitar ao estóico Herênio Senécio que escrevesse uma biografia enaltecendo seu marido recém-falecido — e Herênio foi executado.

Durante o julgamento, Fânia foi perguntada, sob ameaças, se tinha sido ela a instruir Herênio a escrever o livro, e ela confirmou com valentia que havia confiado a ele os diários do marido.

Plínio escreveu: “ela não disse uma só palavra para minorar o perigo que lhe pesava”. As posses de Fânia foram confiscadas, mas ela salvou os diários do marido e a sua biografia.

Ania Cornifícia Faustina (160 – 212)

Ania, a Jovem, é filha do imperador romano Marco Aurélio – um dos grandes nomes do Estoicismo – e da imperatriz Faustina, a Jovem; é irmã de Lucila e do futuro imperador Cômodo.

Quando Cômodo sucedeu seu pai como imperador e, em algum momento entre 190 e 192, ele ordenou a morte do marido de Cornifícia, seu filho, seu cunhado e a família de sua cunhada.

Cornifícia sobreviveu às execuções políticas de Cômodo, mas quando ela estava por volta de 50 anos, o imperador tirano Caracala a executou, por suicídio forçado. Segundo o historiador Dião Cássio, as últimas palavras de Cornifícia revelam a sua ética estoica:

“Minha pobre, infeliz alma, presa num corpo vil, siga adiante, seja livre, mostre-lhes que você é a filha de Marco Aurélio, mesmo que eles compreendam ou não!”

– Ania Cornifícia Faustina

Essas são as três referências de mulheres estoicas na corrente filosófica e o marco de Musônio Rufo para a época.

Referência:

Donald Robertson: https://donaldrobertson.name/2013/12/11/lady-stoics-1-porcia-catonis/

Donald Robertson: https://donaldrobertson.name/2018/03/08/lady-stoics-3-annia-cornificia-faustina-minor/

Donald Robertson: https://donaldrobertson.name/2017/04/14/lady-stoics-2-fannia/

Lina Tavora: https://estoicismopratico.com/blog/mulheres-estoicas-estoicismo

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